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  • CARAVANA DE LUZ EDITORA

O Reino de Deus está dentro de nós

Por Maria da Graça Britto de Azevedo

“Sentado como um peregrino, nas adjacências do Templo, Jesus foi notado por um grupo de sacerdotes e pensadores ociosos, que se sentiram atraídos pelos seus traços de formosa originalidade e pelo seu olhar lúcido e profundo. Alguns deles se afastaram, sem maior interesse, mas Hanã, que seria, mais tarde, o juiz inclemente de sua causa, aproximou-se do desconhecido e dirigiu-se-lhe com orgulho:


– Galileu, que fazes na cidade?


– Passo por Jerusalém, buscando a fundação do Reino de Deus! exclamou o Cristo, com modesta nobreza.


– Reino de Deus? tornou o sacerdote com acentuada ironia. E que pensas tu venha a ser isso?


Esse Reino é a obra divina no coração dos homens! esclareceu Jesus, com grande serenidade.


– Obra divina em tuas mãos? revidou Hanã, com uma gargalhada de desprezo.” [1]


O sacerdote não reconheceu naquele homem incomum, vestido e calçado simplesmente, o profeta bíblico aguardado, o rei que redimiria Israel e traria paz e justiça. Estava diante do Messias, do Governador do Planeta Terra, do Edificador do Reino de Deus e não O percebeu. Ao contrário, tratou-O com zombaria e escárnio.


A inquirição do juiz continua ríspida, e as respostas do Galileu são consistentes: Meus companheiros hão de chegar de todos os lugares.” “Nenhum mármore existe mais puro e mais formoso do que o do sentimento e nenhum cinzel é superior ao da boa vontade.” “Sei qual é a vontade de meu Pai que está nos Céus.” “Conheço o amor e a verdade.”


O Mestre falava da reconstrução do homem velho pela reforma íntima; das energias invisíveis da renovação; da paz no coração do justo e da confiança em Deus; do carinho, respeito e consideração para com toda a criação divina; do serviço fraterno como lei de amor aos semelhantes; das alegrias imorredouras... E esboçou sábia e perfeitamente toda a revelação que o Espiritismo desvelaria, posteriormente, consolando o espírito de boa vontade e conduzindo a Terra ao alvorecer de uma nova era de renovação moral e social.


“A edificação do Reino Divino é obra de aprimoramento, de ordem, esforço, aplicação aos desígnios do Mestre com base no trabalho metódico e na harmonia necessária.” [2]


Mas, como conquistar equilíbrio e fé raciocinada, se somos falíveis, viciados e estamos inseridos em contextos de vida tão desafiadores?


Tudo na vida tem uma saída simples. Bastar-nos-ia utilizar a inteligência e o conhecimento já conquistados para que pudéssemos enxergar ângulos novos, até então, inobservados... Por tudo que já passamos e vivemos, podemos nos considerar aptos para a melhoria necessária do nosso equilíbrio e harmonia íntimos e, se ainda nos demoramos em dores e sofrimentos é porque não temos analisado nossa essência e nem tampouco tirado proveito do aprendizado das vivências acumuladas, que deveriam ser alavancas de libertação para a conquista da liberdade definitiva, da felicidade sonhada.” [3]


A prece é uma saída! Ela nos harmoniza, “porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.” [4]


O trabalho no Bem é uma saída, porque é oração “de espírito para espírito e, sem dúvida, representa uma escada viva pela qual o socorro divino pode descer facilmente da Vida Mais Alta, em nosso favor.” [5]


Jesus é a mão amorosa de Deus que acena o ponto de partida, o caminho da retidão mais perfeito, a saída pacífica e a chegada vitoriosa ao Reino do Nosso Pai Celestial!


“A Boa Nova de Jesus traduz-se em compêndio prático de alegria, perseverança e abnegação diante dos percalços do mundo. O Cristo, sobretudo, não nos furtou às benesses do Reino do Pai, apequenando-se para nos ensinar a servir; perdoando para estendermos perdão com o definitivo esquecimento do mal; humilhando-se, abençoando nosso entendimento tosco e limitado aos atributos a bondade sem máculas, nem exigências; e acima de tudo, amando-nos indistintamente, sem cogitar de ser amado...” [6]



[1] Boa Nova (peça em nossa livraria), cap. 3 - Primeiras pregações - Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

[2] Vinha de Luz (peça em nossa livraria), cap. 177 - Edificação do Reino – Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

[3] Escrevendo Palavras Modificando Conceitos, cap. 20 – O Simples e o Complexo – Angélica, psicografia de Maria Fátima Ferreira de Carvalho.

[4] O Livro dos Espíritos (peça em nossa livraria) comentado pelo Espírito Miramez, Questão 660, Miramez, psicografia de João Nunes Maia.

[5] A Verdade Responde (peça em nossa livraria), No Trabalho - Oração – Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

[6] Receitas de Amor e Paz, Boa Vontade – Elvira Luciani, psicografia de Adail Sebastião Rodrigues Jr.




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