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  • CARAVANA DE LUZ EDITORA

Na estrada de Damasco: uma reflexão sobre o fanatismo ideológico

Por André Azevedo

Caravana de Luz Editora: Fanatismo Ideológico.

“O moço de Tarso soluçava. Ante a expressão doce e persuasiva do Messias Nazareno, considerava o tempo perdido em caminhos escabrosos e ingratos. Doravante necessitava reformar o patrimônio dos pensamentos mais íntimos; a visão de Jesus ressuscitado, aos seus olhos mortais, renovava-lhe integralmente as concepções religiosas. [...] Ele, Saulo, era a ovelha perdida no resvaladouro das teorias escaldantes e destruidoras. Jesus era o Pastor amigo que se dignava fechar os olhos para os espinheiros ingratos, a fim de salvá-lo carinhosamente.”

Emmanuel, na obra “Paulo e Estêvão” (peça em nossa livraria),

psicografada por Francisco Cândido Xavier.



Naquele dia, Saulo de Tarso, o jovem e austero doutor da lei judaica, trazia o coração inquieto. Rumava a Damasco para levar o julgamento do Sinédrio a Ananias, mas sua mente se demorava nas memórias amargas dos eventos recentes. Abigail, com quem quisera viver o sonho da felicidade em família, havia morrido recentemente. Antes disso, Saulo ordenara a execução do irmão de sua amada, Estêvão. Em todos esses eventos, destacava-se um denominador comum: Jesus de Nazaré, o carpinteiro galileu cujas ideias conquistavam, dia após dia, cada vez mais adeptos entre o povo de Abraão.


Com seu caráter inflexível, Saulo capitaneava, então, os esforços para combater aquela nova doutrina que, em sua visão, ameaçava a ordem e a estabilidade da sociedade judaica. Fechado em seu próprio entendimento, o doutor de Tarso havia elegido Jesus e seus seguidores como inimigos a serem combatidos por todos os meios possíveis, inclusive a violência e a crueldade. Antes que a luz amiga do Cristo lhe retirasse temporariamente a visão física, na estrada de Damasco, Saulo já se encontrava em um estado de profunda cegueira da alma, aprisionado ao fanatismo em que cristalizara as próprias crenças.


A visão do Mestre, entretanto, transforma-lhe profundamente as disposições mais íntimas. Indagado por Jesus sobre o motivo de tantas perseguições, o jovem fariseu cai em si. Preenchido pelo remorso, verte copioso choro de arrependimento por seus erros e, levantando-se das areias de sua própria ruína moral, decide modificar a vida. Converte-se, a partir de então, em um dos mais fiéis apóstolos do Cristo.


A história do Apóstolo dos Gentios nos convida a uma reflexão sobre os perigos do fanatismo ideológico, em qualquer campo da vida. O pensamento fanático é circular, fechado em si mesmo; não aceita ideias novas, não se abre à reflexão racional e demoniza todos aqueles que adotam um entendimento diferente. Quando vários grupos sociais passam a agir dessa maneira, o ódio e a dissensão se estabelecem no lugar do diálogo e do entendimento, o que leva a resultados lamentáveis para toda a coletividade. Das fogueiras da Inquisição medieval aos genocídios de povos inteiros no século XX, temos o fanatismo como causa principal das tragédias mais destrutivas da História humana.


Tolerância para com as diferenças e capacidade de reflexão racional são antídotos extremamente úteis contra o veneno da radicalização fanática. A propósito, nós, brasileiros, teremos muito em breve uma oportunidade de exercitarmos essas potencialidades: as eleições municipais que se avizinham. No campo da política, como em muitos outros, o azinhavre da polarização ideológica tem corroído preciosas possibilidades de debate dos problemas coletivos e de construção de soluções para os mesmos. De um lado e de outro do espectro político, temos visto, da parte de candidatos e eleitores, acusações odiosas, propagação de notícias falsas e até mesmo ataques, tanto físicos quanto digitais, àqueles que abraçam um entendimento diferente do grupo atacante.


Nesse momento, portanto, tenhamos equilíbrio; saibamos ouvir e respeitar o outro, ainda quando seu posicionamento político-ideológico seja diferente do nosso. Recordemos que a dureza e o fanatismo não trouxeram a Saulo de Tarso senão lágrimas e remorso e reflitamos que, na estrada de Damasco em que nos encontramos, a luz do Mestre brilha igualmente para todos nós, sem distinção de qualquer natureza.




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