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  • CARAVANA DE LUZ EDITORA

Valorizar a vida, um ato de amor

Por Angelina Freitas


Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem? “O de viver. Por isso é que ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”

Questão nº 880 de “O Livro dos Espíritos”, codificado por Allan Kardec.



“Investimento sublime a vida! Em todas as suas manifestações expressa a

suprema misericórdia de Deus, num conjunto de harmonias e bênçãos. O homem, porém, nem sempre sabe valorizar-lhe a oportunidade”.

Joanna de Ângelis em “Leis Morais da Vida” (peça em nossa livraria), cap. Perante a vida.



Desde 2003, no dia 10 de setembro, comemora-se o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, e em todo o globo, instituiu-se uma mobilização em DEFESA DA VIDA durante todo esse mês, fato que culminou, a partir de 2015, em uma campanha nacional que ficou conhecida como “SETEMBRO AMARELO”. Muito antes disso, porém, atenta à importância do tema, a Federação Espírita Brasileira (FEB) lançava em sua sede, em 5 de setembro de 1993, a Campanha “Em Defesa da Vida”, cuja proposta consistia numa reflexão sobre a valorização da existência física, na qual se discutia, além do suicídio, o aborto, a violência, a eutanásia, a pena de morte e o uso de drogas.


Segundo uma pesquisa realizada em 2017, em várias partes do mundo, mulheres que abortam são seis vezes mais propensas ao suicídio. Conduzido pelo doutor Gregory Pike [1], do Adelaide Centre for Bioethics and Culture, a pedido da Sociedade para a Proteção da Criança Nascitura do Reino Unido (SPUC), esse estudo fez parte de uma campanha chamada “Nós nos importamos com as mulheres”, lançada por ocasião dos 50 anos da legalização do aborto na Inglaterra. O estudo demonstrou, também, que o risco de depressão e de desordens de saúde mental aumentam em 30% após um aborto, e o de ansiedade em 25%. “O impacto mental, emocional e físico é duradouro e com frequência afeta toda a vida da mulher”, afirma a diretora de campanhas do SPUC, Antonia Tully, ao apresentar a pesquisa.


O que nos diz o Espiritismo acerca desse assunto? Qual a razão de tantos adoecimentos físicos e psicoemocionais após a prática do aborto?


Como em nosso país o aborto sem causa justa é ilegal, as leis de nossa constituição penalizam a mulher gestante, aquele que a induz, bem como, o indivíduo que realiza o infanticídio. A legislação brasileira admite o aborto legal somente no caso de a gravidez ser gerada após estupro ou no qual a gestação ofereça risco à vida da mãe. E essa última, é a única condição reconhecida pelos Espíritos, como legítima para a prática do aborto terapêutico: “Preferível é que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe” [4].


E se o aborto já tiver acontecido? Ensina-nos o Mestre Jesus que: “Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra” [5], advertindo que não temos o direito de julgar o próximo que se equivoca, pois “Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias. Quem ontem abandonou os próprios filhos pode hoje afeiçoar-se aos filhos alheios, necessitados de carinho e abnegação. O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro, adverte-nos quanto à necessidade de cultivarmos ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de nossos males (I Pedro 4,8) ” [6].


Ressalta a codificação kardequiana [7] que três condições são necessárias para apagarmos os traços de uma falta e suas consequências: arrependimento, expiação e reparação. E essa reparação somente se torna possível, quando vivenciamos as leis divinas em nosso cotidiano, tendo sempre por base o AMOR, sentimento que, segundo Elvira Luciani, “é força inexaurível a sustentar-nos nos tropeços e a guiar-nos nas penosas trilhas de nosso aperfeiçoamento...”. [8]


Diante da oportunidade de nova vida física, agradeçamos ao Pai Maior

a bênção recebida e, diante do aborto consumado, busquemos o perdão incondicional,

o trabalho no bem e a prática da caridade.



[1] Dr. Greg Pike, PhD, é o Diretor fundador do Centro de Bioética e Cultura de Adelaide (Austrália) e ex-diretor do Southern Cross Bioehics Institute. Tem um histórico de pesquisas em neurobiologia na University of Adelaide e University of Pittsburg. Trabalhou em questões éticas relacionadas a drogas ilícitas, células-tronco, clonagem, aborto, tecnologia reprodutiva e genética, tendo particular interesse em relação às políticas públicas.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 344.

[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos (peça em nossa livraria). Questão 358.

[4] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 359.

[5] João 8, 7.

[6] XAVIER, Francisco e Waldo Vieira. Evolução em Dois Mundos (peça em nossa livraria), pelo Espírito André Luiz, 2ª parte, cap. XIV.

[7] KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno (peça em nossa livraria). 1ª Parte, cap. VII – As penas futuras segundo o Espiritismo.

[8] RODRIGUES JR, Adail Sebastião. Receitas de Amor e Paz, por Espíritos diversos. Capítulo: Na base do amor.




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