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Resenha – Filme “Quem somos nós?”

Por André Azevedo

“Em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível.” Jesus (Mateus 17:20)


Dois elementos, ou, se quiserdes, duas forças regem o universo: o elemento espiritual e o material. Da ação simultânea desses dois princípios nascem fenômenos especiais, naturalmente inexplicáveis, desde que se abstraia de um deles, do mesmo modo que a formação da água seria inexplicável, se se abstraísse de um dos seus elementos constituintes: o oxigênio e o hidrogênio. Demonstrando a existência do mundo espiritual e suas relações com o mundo material, o Espiritismo fornece o esclarecimento de uma imensidade de fenômenos incompreendidos e considerados, por isso mesmo, inadmissíveis, por uma certa classe de pensadores.” Allan Kardec, na introdução da obra “A Gênese”(peça em nossa livraria), publicada em 1868.


“O materialismo moderno retira das pessoas a necessidade de se sentirem responsáveis [por aquilo que lhes acontece] e, frequentemente, a religião faz o mesmo. Mas eu creio que, se você levar a Mecânica Quântica a sério, ela coloca a responsabilidade inteiramente sobre você.” Jeffrey Satinover, psiquiatra e físico, no filme “Quem somos nós?”, lançado em 2004 (Tradução nossa).



O filme “Quem somos nós?” apresenta e discute a ideia de que a consciência humana – expressa pelos nossos pensamentos e emoções – é capaz de criar, influenciar e modificar a realidade material. A discussão é fundamentada em conceitos da Física (ou Mecânica) Quântica, que consiste em um paradigma teórico no campo da Física cuja base é a Teoria da Relatividade de Einstein. A Física Quântica estuda a natureza material a partir da análise do comportamento dos átomos e das partículas subatômicas.


O filme, muito bem produzido, é construído em dois caminhos que se intercalam ao longo de sua duração. O primeiro caminho, na linha de um documentário, é composto por entrevistas com profissionais de diversas áreas, principalmente nos campos da Física e da Medicina, a partir das quais são apresentados e discutidos os conceitos e as conclusões deles derivadas. Já o segundo caminho segue uma linha mais cinematográfica, na qual o espectador acompanha a história fictícia de uma fotógrafa que vivencia desafios existenciais e emocionais, no decorrer dos quais as ideias discutidas são ilustradas.


A discussão é iniciada com uma reflexão a respeito da própria natureza da matéria, na qual o espectador aprende que, ao contrário da concepção de matéria sólida abraçada pela Física Clássica, a Física Quântica entende que a matéria, em sua essência, não é sólida, uma vez que a maior parte do volume dos átomos é composta não por partículas, mas sim pelo “espaço vazio” entre elas (o qual, na verdade, é preenchido por aquilo que a Astrofísica chama de “matéria escura” e que a Doutrina Espírita, que antecipou esse conceito, denomina “fluido cósmico universal”).


Além disso, a Física Quântica estabelece que as chamadas “partículas subatômicas” (tais como prótons e elétrons) se comportam ora como partículas (matéria), ora como ondas (energia), sendo seu comportamento influenciado pela energia com a qual interagem. Os elétrons, por exemplo, realizam saltos quânticos entre distintos níveis de energia, absorvendo energia quando passam para um nível mais alto e liberando energia, na forma de fótons, quando passam para um nível mais baixo.


Desse caráter dual das partículas subatômicas – isto é, de sua natureza tanto material quanto energética – derivam dois outros princípios: o da complementariedade, que estabelece que os objetos possuem propriedades complementares que não podem ser todas observadas e mensuradas simultaneamente, e o da incerteza, que estabelece que, em um par de propriedades complementares, quanto mais precisa for a mensuração de uma das variáveis, menos precisa será a mensuração da outra.


Por esses dois princípios, a Física Quântica infere que a matéria, em sua natureza essencial, possui um caráter probabilístico, pois as partículas-onda subatômicas podem se encontrar, quanto aos seus atributos, em um espectro infinito de posições (estados quânticos) que são passíveis de existir simultaneamente (superposição quântica). A realidade que se concretiza aos nossos olhos, segundo essa visão, é apenas um dos múltiplos estados quânticos em que a matéria pode existir.


Há duas interpretações a respeito do motivo pelo qual a realidade percebida se concretiza em determinado estado quântico, com exclusão dos demais. De acordo com a interpretação de von Neumann-Wigner, na qual o filme “Quem somos nós” se baseia, essa concretização acontece quando um observador externo consciente mensura a realidade por meio de seus processos mentais. Dessa forma, no momento em que nossa mente define o que é a realidade, o estado quântico correspondente a essa definição se concretiza e todos os demais estados quânticos entram em colapso, deixando de existir na realidade que percebemos.


Essa maneira de entender a realidade rompe com a concepção materialista – isto é, a de que existe uma realidade externa a nós, cuja construção nossa vontade não pode influenciar e sobre a qual não temos nenhum controle e, portanto, nenhuma responsabilidade – para estabelecer uma concepção de acordo com a qual nossa consciência – que se manifesta por meio de nossos pensamentos e emoções – é efetivamente capaz de criar a realidade na qual vivemos, selecionando-a a partir de uma gama infinita de realidades possíveis. Nessa concepção, somos efetivamente responsáveis pela nossa realidade, uma vez que, em nossa mente, fomos nós que fizemos, de forma consciente ou inconsciente, a escolha que levou à concretização da mesma.


Não é esse entendimento uma confirmação da Lei de Causa e Efeito que, antes mesmo de a Física Quântica existir na Ciência, foi apresentada na Codificação Kardequiana como o mecanismo que rege a existência humana? Não é a responsabilidade subjetiva pela definição da realidade, discutida pela Mecânica Quântica, uma consagração do princípio de livre-arbítrio que a Doutrina estabelece? Não é, por fim, a descoberta de que nossos pensamentos e emoções definem a realidade que nos cerca uma corroboração dos princípios de influência dos espíritos sobre outros espíritos e sobre a natureza?


Quando refletimos nessa convergência entre Ciência e Doutrina, dois efeitos ocorrem em nós. O primeiro é o fortalecimento de nossa fé, pois percebemos que, de Kardec até agora, ela permanece fundamentada na razão. Conscientes do nosso papel na criação da realidade que nos cerca, reflitamos, assim, na força imensa da afirmação do Mestre, quando ele nos ensina que, se tivermos fé como um grão de mostarda, nada nos será impossível.


O segundo efeito é a ampliação de nosso entendimento a respeito de determinados fenômenos. Tomemos, por exemplo, o processo de fluidificação da água. No documentário “Quem somos nós”, é apresentado o experimento do japonês Masaru Emoto a respeito da influência das emoções sobre a forma molecular da água. O pesquisador encheu várias garrafas d’água e aplicou sobre cada uma delas um estímulo diferente em termos de carga emocional. Sobre uma, por exemplo, foi escrita a palavra “amor” e, sobre outra, expressões negativas, tais como “eu te odeio” e “vou te matar”. Ao serem tiradas fotografias microscópicas das moléculas de água, foi comprovado que aquelas que haviam recebido estímulos positivos revelaram formas moleculares harmônicas e luminosas, ao passo que aquelas que haviam sido estimuladas negativamente apresentaram formas distorcidas, matizadas em cores escuras.


A fluidificação da água nada mais é que essa aplicação energética benéfica que se exerce sobre o líquido, dotando-a de propriedades curativas. É como o benfeitor Lísias comenta com André Luiz na obra “Nosso Lar” (peça em nossa livraria), capítulo “No bosque das águas”: “A água, no mundo, meu amigo, não somente carreia os resíduos dos corpos, mas também as expressões de nossa vida mental. Será nociva nas mãos perversas, útil nas mãos generosas e, quando em movimento, sua corrente não só espalhará bênção de vida, mas constituirá igualmente um veículo da Providência Divina, absorvendo amarguras, ódios e ansiedades dos homens, lavando-lhes a casa material e purificando-lhes a atmosfera íntima”. Como nos lembra o documentário, a maior parte do nosso corpo físico é composta de água. Se os pensamentos e emoções afetam tanto a água, certamente também afetam nosso corpo e, portanto, nossa saúde.


Por fim, é impossível discutirmos a Física Quântica sem prestarmos homenagem ao cientista Stephen Hawking, que retornou recentemente à Pátria Espiritual e que é comparado por muitos a Galileu e Newton, tamanha sua contribuição para a compreensão da humanidade a respeito do Universo. Hawking acreditava que as leis da Ciência eram a expressão de uma ordem universal maior e, embora fosse ateu declarado, não negava, em sua obra, a possibilidade de que essa ordem universal tivesse origem para além da matéria, tal como afirma em sua obra “Uma breve história do tempo”: “Toda a história da ciência tem sido a compreensão gradual de que os eventos não acontecem de uma maneira arbitrária, mas sim refletem uma certa ordem subjacente, que pode ou não ser de origem divina” (tradução nossa).


Para quem quiser assistir ao filme “Quem somos nós”, que recomendamos, seguem os links para acesso no Youtube:


Versão legendada: http://bit.ly/2GQH5mp

Versão dublada: http://bit.ly/2EYU083




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