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Vovó e Vovô: mãe e pai com açúcar!

Por Alexsandra Moreira de Castro


“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família,

negou a fé, e é pior do que o infiel.” (Paulo – I Timóteo, 5,8)



Existe uma expressão que afirma: “Vó é mãe com açúcar!”. O que será que ela quer dizer?


Em um primeiro momento, poderíamos pensar que o amor que a Vovó e o Vovô dedicam a seus netos é o mesmo amor que dedicaram a seus filhos, só que envolto em uma camada de docilidade, pois compreendem melhor as “travessuras infantis” e, por isso, são mais leves no momento da correção e/ou educação, correção/educação essa que é obrigação dos pais. Em outras palavras, o amor que eles nos devotam vem cheio da experiência alcançada ao longo da vida e, assim, seus conselhos às crianças (que pedem muitos e diferentes cuidados) e aos adolescentes/jovens (“que são como abelhas que ainda não sabem fazer mel” [1]) considerariam o que realmente é importante e que nos ajuda a sermos homens e mulheres de bem. É o que nos diz Humberto de Campos, na obra Boa Nova: “A vida é como uma árvore grandiosa. A infância é a ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem depois de receberem os primeiros raios do sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre uma benção do trabalho do Todo Poderoso. A ramagem é uma esperança; a flor é uma promessa; o fruto é a realização. Só ele contém o doce mistério da vida” [2].


Em um segundo momento, poderíamos pensar que a Vovó e o Vovô, por carregarem a fragilidade característica da idade, precisam ser cuidados com açúcar, com muito açúcar. Após uma existência de trabalho (muitas vezes árduo), da educação de filhos (muitas vezes de sobrinhos e de netos), do enfrentamento de muitas perdas e do esgotamento natural das forças físicas, o cuidado, o respeito e a assistência às suas necessidades (emocionais, mentais, espirituais, físicas e financeiras) devem vir envoltos em imensa gratidão. Gratidão pela oportunidade da vida, pelo amor que nos aqueceu (e aquece) nos dias e nas noites, pelo alimento recebido, pela escola que frequentamos, pelas muitas festinhas que nos deram (com salgadinhos, docinhos e bolo, muitas vezes feitos de madrugada)... Reconheçamos, a lista é grande! Procuremos obedecer ao preceito constitucional, na parte que nos cabe, quando afirma: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida” [3]. Procuremos seguir a alertiva da Espiritualidade Maior, quando responderam à pergunta de Kardec se o homem tem direito de descansar na velhice: Sim, que a nada é obrigado, senão de acordo com as suas força [4] (...) O forte deve trabalhar para o fraco [5]”. Ofertemos, portanto, a nossas Vovós e a nossos Vovôs “os pequenos nadas supérfluos, as solicitudes, os cuidados amáveis, que são apenas o juro do que receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Unicamente essa é a piedade filial grata a Deus” [6].


Por fim, que possamos a eles oferecer a nossa empatia (que é a habilidade de se colocar no lugar do outro), a nossa aceitação incondicional (que se faz representar pelo respeito e pelo acolhimento), a nossa coerência (como a capacidade de sermos reais, autênticos e genuínos em nossas manifestações afetivas), a nossa disponibilidade (seja interior, seja a de tempo. Não ficar com eles apenas nos domingos à tarde) e o nosso amor (centelha divina que reside em cada um e que deve ser espalhada em forma de carinho, de afeto, de boas conversas).


Lembramos que, nesses tempos de pandemia, que implica no convite ao isolamento e no cuidado maior com os nossos Velhinhos e nossas Velhinhas, possamos exercer a criatividade para encher o Vovô e a Vovó de alegria. Nós podemos, e devemos, ligar mais (partilhando as nossas vidas) e ouvi-los com paciência; enviar mensagens contendo belas canções; passar na porta deles para que eles nos vejam (passar e ficar). Que tal colocar uma cadeira para eles se sentarem, enquanto nós ficamos afastados, de máscaras, usufruindo de doces momentos?); usar as ferramentas digitais (que permitem que eles nos vejam, enquanto conversamos); cozinhar um prato favorito deles (deles e não nosso) e entregar ou pedir alguém para entregar; encomendar uma boa comida e entregar; fazer as compras e deixar na porta deles (com uma flor que eles gostem)... Enfim, mostrar do nosso jeito o amor que por eles sentimos!


Vovó, Vovô, feliz seu dia, que, na verdade, é todo dia!




[1] XAVIER, Francisco Cândido. Boa Nova (peça em nossa livraria), Pelo Espírito Humberto de Campos. Capítulo 9. Velhos e Moços.

[2] XAVIER, Francisco Cândido. Boa Nova, Pelo Espírito Humberto de Campos. Capítulo 9. Velhos e Moços.

[3] Constituição da República de 1988, art. 230.

[4] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos (peça em nossa livraria). Questão 685.

[5] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 685a.

[6] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo (peça em nossa livraria). Capítulo XIV. Honrai a vosso pai e a vossa mãe. Item 3: Piedade filial.





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