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  • CARAVANA DE LUZ EDITORA

Vencendo a si mesmo pela humildade

Por Heleuse Rousie


“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” – Mateus 11:29

Naquela noite o silencio era total. A natureza calada exultava de alegria e omitia sua beleza para que a estrela pudesse brilhar com todo o seu fulgor. E ela brilhou... E o seu brilho mostrou aos reis magos o caminho a seguir. E eles O encontraram. E, num gesto de HUMILDADE e respeito, ajoelharam-se diante da criança que acabara de nascer e reconheceram Nele a promessa que ouviram de que um novo Rei viria para transformar a humanidade.


Cristo Menino nasceu. E, num supremo gesto de HUMILDADE, teve uma manjedoura para o acolher; à sua volta, uma mãe Maria plena de amor, repleta de HUMILDADE, um pai José abnegado e SIMPLES, que observavam calados aqueles reis que ofereciam ao seu menino ouro, incenso e mirra, presentes que só eram oferecidos aos potentados, soberanos de poder e grandeza. Mas, o maior presente, muitas vezes, passa despercebido, o ato de HUMILDADE e submissão que cada um destes reis oferece ao Menino Rei. Este ato de ajoelhar-se diante do menino é, com certeza, o maior presente oferecido: é o reconhecimento do seu poder atemporal, por ser baseado no amor e respeito ao próximo. Este ato dos reis magos “depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes” (Lucas 1:52).


Este menino cresceu, e fez da HUMILDADE o seu ensinamento maior. Nenhuma das nossas conquistas morais será efetivada se não tivermos como base a humildade vivenciada da forma que Ele nos ensinou a fazê-lo.

Jesus chamou os doze discípulos na mais profunda humildade reconhecível por eles e falou-lhes com brandura sobre a urgência da pregação do Evangelho, e que fosse anunciado em condições da mais pura humildade. Deu-lhes autoridade sobre os espíritos inferiores, não deixando, no entanto, que esse poder fosse usado por capricho ou violência. Ordenou-lhes que nada levassem para viagem, que não fosse unicamente o de valia, o que pudesse ser útil. Que cortassem os excessos que lhes pesassem nos ombros e na consciência; pediu-lhes ainda que esquecessem o luxo, recomendando a cada um que calçassem um par de sandálias e que não usassem duas túnicas” (Cristos – João Nunes Maia): [1]


- Falar com brandura;

- Obter autoridade moral;

- Não usar de capricho ou violência;

- Carregar apenas o que for útil;

- Esquecer o luxo.


Paulo de Tarso, seguidor de Cristo e maior divulgador do Seu Evangelho, falaria mais tarde sobre a maneira correta de agir, se realmente quisermos honrar aos ensinamentos de Cristo. Em Filipenses 2: 3-8, ele nos lembra que Jesus:


- Assumiu forma de servo;

- Tornou-se semelhante ao homem;

- Tornou-se obediente;

- Humilhou-se a Si mesmo.


No sermão do monte, Cristo nos convida a amar o próximo como a nós mesmos, e é um grande desafio que Ele nos convida a vencer, mas o maior desafio do Cristo ainda estava por vir.


Na última noite em que Ele se reúne com seus discípulos, naquela que seria conhecida como a última ceia, Cristo-homem se despede de seus amigos da mesma maneira que chegou ao mundo: com extrema HUMILDADE.


Ele toma da bacia e da toalha e começa a lavar os pés de cada discípulo. Naquele tempo, era uma prática normal com a qual o anfitrião recebia seus convidados. A areia do deserto envolvia os pés, que tinham comumente sandálias para os protegerem, e era um ato de boa hospitalidade banhá-los, assim que eles adentravam à casa. Mas era um ato realizado pelo mais simples dos servos. Por isso todos se admiraram quando Cristo se ajoelhou e, carinhosamente, sem orgulho e com muito amor, lavou os pés de cada um dos seus amigos, inclusive daquele que, como Ele já sabia, viria a traí-lo.


Pedro, seu discípulo, ao ver aquilo fica indignado, e se recusa a deixá-lo lavar os seus pés, Jesus, no entanto, adverte-o que, para estar com Ele, era necessário que assim o fizesse. E é então que ele lança o maior desafio: Amar uns aos outros como ele nos amou.


Agora o convite não era o de amarmos uns aos outros, mas de amarmos como Cristo nos ama.


Talvez o que Pedro não tenha entendido de imediato era que o ato de lavar em si não era o mais importante, a importância estava no significado, a grande demonstração de HUMILDADE. E aquele, que chegou HUMILDEMENTE numa manjedoura, se despede HUMILDEMENTE, ajoelhando-se aos pés de cada um dos seus discípulos e morre HUMILDEMENTE numa cruz.


No ano novo que se aproxima, não é necessário que tracemos metas inalcançáveis e planos mirabolantes, foquemos principalmente na nossa reforma íntima e no nosso empenho de buscar a cada dia “tomar sobre nós o jugo do Cristo, aprendendo com Ele a ser manso e HUMILDE de coração; só assim encontraremos descanso para as nossas almas”.



[1] XAVIER, Francisco Cândido. Cap: Cristo – humildade. In: Fonte Viva (peça em nossa livraria). Pelo Espírito Emmanuel.

[2] CARVALHO, Maria Fátima Ferreira de. Cap. 17: Saindo do egocentrismo. In: Escrevendo Palavras, Modificando Conceitos. Pelo Espírito Angélica. 1º ed. Belo Horizonte: Caravana de Luz Editora, 2011. p.101-105.




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